Carência

Não faz muito tempo, li que na geração que vivemos, as pessoas  tendem a estar cada vez mais sozinhas.
E de certa forma, é exatamente assim.
Estamos camuflados atrás de nossas telas e botões, por vezes saindo a público envoltos de nosso ego. Mas, nunca nos mostramos…
Carência
por Wenderson Cruz
em 04/12/2017

O quão sozinhos afetivamente estamos?

Numa dessas noites de sexta que não parecem nada frias, recebi uma pergunta que me assustou.
– Oi, pode conversar?
Logo prontamente, respondi:
– Sim. Fui solícito:
Como está? Do que precisa?
– Nada bem. Me sinto sozinha, tô precisando de um amor.

Pensei, pensei. Eu sou homem, jovem, noite de sexta, sozinho em casa, de bem com a vida e mesmo assim é difícil ter um certo controle em situações do gênero.
Desde a adolescência, meus amigos dizem que eu sou meio babaca. E, até algumas meninas, mulheres, essas que possivelmente queriam apenas sexo, já chegaram a me dizer.
– Cara, você é realmente um babaca. E dessa forma, vai ficar difícil.
Sei lá, Não consigo ignorar a pessoa, e pronto.
Sexo…
Hoje em dia, a maioria dos encontros se dão de tal forma.
Não estou muito bem, não sei mais o quê, bora lá?
Papo flui, sendo um cara cuidadoso, não se aproveitando de mulher alguma, e de modo algum chegando a ser direto, por mais que a mesma se insinuasse, desse pistas do que realmente queria.
Assédio é um grande problema hoje em dia, acredite em mim.
Tradução:
Não consigo ficar, transar, ou ao menos ter uma aventura, por mais que seja virtual, em questões de carência.
Se pinta um certo interesse, ambos estão de boa, desimpedidos, porque não tentar?
Por mais que, a gente não se fale mais…
Ou, fale, todos os fins de semana.
Mulher pra caramba.
Mas quando eu me sinto acompanhado, seguro, com alguém que possa confiar?
Por mais que seja aquela amizade legal, cheia de cor.
Quando o sexo não fluir mais. E aí?
Claro que, são casos e casos. E por vezes, o assunto até flui, além dos elos.
Pelo menos pra mim, não vale.

Não faz muito tempo, li que na geração que vivemos, as pessoas  tendem a estar cada vez mais sozinhas.
E de certa forma, é exatamente assim.
Estamos camuflados atrás de nossas telas e botões, por vezes saindo a público envoltos de nosso ego. Mas, nunca nos mostramos…
Machucados, traumatizados, temerosos, desacreditados quanto ao verdadeiro amor.
E aí, bate a carência.
Fins de semana, que a sexta-feira sempre nos lembra.

Precisamos…
Nos amar mais, pensar mais em nossos atos, e refletir que tudo lá na frente, terá um resultado.
Quem já foi casado e se separou, sabe bem do que estou falando.
– Não sei porque fiz a burrada de me casar com você!
Horrível para quem ouve, difícil para quem diz, voltar atrás.

Raiva?
Eu nunca digo. Simplesmente, me isolo.
Não vale…
Quero alguém bem, comigo. Um abrigo, para que possa me sentir seguro, em meus momentos mais tranquilos e difíceis.
Não quero estar, simplesmente por estar… Não preciso obrigar ou me vitimar a interesses fúteis!

Igual ao nosso canto preferido da casa, ou até a casa inteira em que vivemos, temos de preservar!
E como lidar com a tal da carência?
Me pergunto sobre isso até hoje.
Uma vez, um amigo me disse:
“Cara, elas tem muito mais facilidade do que nós homens.
É só enviar um “Oi, sumido” pra alguém, ou simplesmente fazer charme para aquele gato e aliviar. Por mais que seja de momento.
Se rolar uma química, rolou”!

E nós homens?
Por vezes, até que conseguimos.
E quando não?
Não sei se você se preocupa ou tenta. pois eu não.
Quer uma dica? Deixe fluir.
Pois, quanto mais você procura, pior fica.
Afinal, você está procurando. E claro:
Como diz aquele ditado: Quem procura, acha. Por mais que não seja exatamente o que deseje, todos acabarão encontrando.
E aí que mora o problema. Você possivelmente em algum momento vai se conformar com o razoável e se decepcionar depois.
Mas não posso socializar, puxar assunto?
Sim, claro.
Conversar, trocar experiências, se ajudar, qualquer coisa, adquirir com tudo isso, um pouco mais de conhecimento.
Mas, vale a pena esse respeito, essa preocupação com o outro, esse interesse zero.
Se fluir, fluiu.
Mas nunca usando ninguém.
Afinal: Se você o usa, ele te usa, serão sempre objetos.
E lembre-se que objetos sempre tendem a se tornar descartáveis em algum dia.

Autor: da redação

Cronista, locutor, universitário, apreciador assumido de R&B, POP e MPB. Respira o romance 24:00. Por isso, embarca em dois romances incompletos, os quais um dia sonha em terminar. Atualmente sustenta uma coluna pública no site Recanto das Letras, e escreve com mais liberdade em seu próprio blog. Já tentou ser músico, se aventurou em meio ao teatro, e ainda arrisca algo no meio humorístico. Adepto a produção publicitária, se descobriu locutor na maior idade, e faz disso um complemento a todo o seu trabalho. Apaixonado pela literatura antiga, mas não abre mão de obras atuais para passar o tempo, por mais que esteja constantemente garimpando por obras inspiradoras, e as encontrando. Admira escritores que se destacam em descrever com perfeição os sentimentos, e faz disso sua inspiração. Gosta de viajar, conhecer novas pessoas, se aventurar em meio a novos assuntos, se inspirar e escrever sobre tudo aquilo que tem oportunidade. Ama a vida, admira sorrisos sinceros, se dedica em ajudar em tudo que esteja ao seu alcance, e luta diariamente por um mundo melhor. Vive com todos e por todos, em uma união de equilíbrio, paz e luz.

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