Resenha. O Safado do 105 – por Mila Wander

Autora:
Mila Wander
Editora: Essência; Edição: 1 (21 de maio de 2015)
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Sinopse:
A analista de sistemas Raissa Magalhães finalmente compra um imóvel
e realiza o sonho de morar sozinha.
Assim que ela se muda para a casa de número 104,
descobre que seu novo vizinho, que ela apelida de Calvin, é um chef de cozinha alto, bonito,
jovem e sarado.

Com o tempo, ela descobre que dormir em seu novo quarto será uma missão impossível.
Da casa 105, geminada com a sua, chegam, noite após noite, gemidos e
gritos de prazer das mulheres que visitam seu vizinho.

A vocação para a safadeza do rapaz não só impedirá Raissa de dormir profundamente,
mas irá incitá-la e excitá-la de tal maneira que ela também começará a frequentar o
105.

O desejo de Raissa se transformará em paixão. Só que a analista de sistemas sabe muito
bem que se apaixonar por um homem com tamanho currículo sexual, pode não ser a
coisa mais sensata.

Conseguirá Raissa mudar o jeito irresponsável e descompromissado de seu vizinho,
fazendo-o se apaixonar por ela? Ou será que almejar um futuro amoroso ao lado de um
safado convicto é pura ilusão?

Raissa havia acabado de sair da casa de seus pais, após juntar dinheiro durante alguns anos e comprar sua tão sonhada casa.

Ali, tudo era um sonho. A casinha sonhada desde a infância, a perfeição do ambiente florido, a rua tranquila.
Se não fosse, logo a sua chegada, observar o seu vizinho se despedir de 3 visitas que saíam de sua casa, com um beijo triplo.

Naquele momento, eles se conheceram…

Um moreno alto e de costas largas andava em sua direção, somente com uma cueca boxer.

­ Ei, você é a nova vizinha? ­ o homem gritou, aproximando-se. Eu ainda olhava para a
cueca. ­ Ei! Como é mesmo o seu nome? ­ Parou bem na minha frente, e, eu, como que desperta
de um transe, encarei o seu rosto.
Minha língua dançou a Macarena no chão da varanda. A baba escorria pelos cantos da minha
boca, e achei que o dia estava quente demais para o meu gosto. Devia fazer tipo uns… quinhentos
graus Celsius!
Ao notar meu estado de torpor, meu vizinho gato sorriu de um jeito malicioso, expondo
dentes brancos maravilhosos. Seus olhos escuros e suas sobrancelhas grossas incitaram meu
desejo mais profundo. Ele mexeu a mão na minha frente.
­ Ei! Acorda!
­ Caramba…
­ Hã?
­ Eh… quer dizer, meu nome é Raissa… ­ Consegui erguer uma mão para frente. Ele a
apertou, utilizando mais força que o necessário para um cumprimento cordial. Como sua mão era
quente! Minha língua continuou fazendo a dancinha ridícula da macarena.
O cara sorriu de um jeito ainda mais malicioso. Com sinceridade, não dá para descrever o que
foi a visão daquele homem de cueca, rindo daquele jeito bem diante de mim. Era simplesmente
um absurdo, quase uma afronta à comunidade feminina que suspira por um príncipe.
­ Muito prazer, Raissa. Prazer até demais… Ah!
Ele soltou um gemido? Sério, produção?
­ Pensei que uma velhota tivesse comprado o 104.
­ Acho que eu sou a velhota ­ murmurei, ainda sem acreditar no que os meus olhos viam.
O cara gargalhou. Colocou até uma mão na barriga, que nada mais era que um poderoso
tanquinho, composto de, talvez, uns cinco gomos, que me fez perceber que lavar roupa não seria
algo tão ruim assim.
­ De modo algum, Raissa! Você tá no ponto.
No ponto de quê, Senhor?
­ Desculpa, como é seu nome mesmo? ­ Fechei os olhos e balancei a cabeça em negativa,
como que afastando meus pensamentos libidinosos. Tomei fôlego e os reabri. Precisava me
concentrar. Não podia permitir que aquela energia que fazia os meus olhos serem atraídos para a
cueca do meu vizinho fosse mais forte que eu.
­ Você pode me chamar do que quiser… ­ falou com a voz nitidamente afetada e piscou um
olho. Depois, passou a língua por seus lábios grossos. Achei que fosse desfalecer quando meus
hormônios em ebulição transformaram aquela rápida ação de passar a língua pelos lábios, que
deve ter demorado um segundo, em séculos.
­ Ok, vou te chamar de Calvin.
­ Calvin? ­ O cara fez uma careta divertida.
­ Calvin Klein ­ disse, olhando para a sua cueca. Ele gargalhou alto. Era a marca estampada
no cós da maldita que abraçava sua cintura definida.
Sem conseguir reagir a mais nada, simplesmente virei de costas e entrei na minha nova casa
sem sequer olhar para trás.

O nosso querido Kalvin, assim apelidado por Raissa, acabou perdendo sua mãe muito cedo.
Ficando somente com seu pai para lhe orientar ao longo da vida.
Este, por sua vez, ao não superar a mágoa da perda da esposa, instruiu o garoto desde cedo a nunca se apaixonar por mulher alguma.

Em rotineiros churrascos, durante todos os domingos, o pai se embriagava, e contava suas mágoas ao filho.

Mesmo tendo outro casamento após a morte da esposa, o pai de Kalvin nunca conseguiu superar a perda.

Com isso, acabou levando parte de sua mágoa para seu filho, Kalvin.

Não tardiamente, a pouco tempo, falecia também o pai de Kalvin.

Carlos, irmão de Kalvin, decidira dividir a casa, vendê-la e rachar o dinheiro. Uma vez que seu irmão Kalvin, não queria deixar a casa de maneira alguma.

E assim foi feito.
Nascera o 104, que ficaria para Kalvin, e o 105, que seria vendido.

Talvez, por ironia do destino, Raissa tenha comprado aquela casa.
O contato entre ambos, desde o princípio, foi único.
Inicialmente, poderia ser somente sexo, atração carnal.

Porém, com o passar dos dias, ambos perceberam que seria bem mais do que isso.

Mas, como convertê-lo?

Uma vez que o cara era um safado de marca maior. Recebendo mulheres em sua casa durante todas as noites, para seu bel prazer.

Kalvin lavava pratos em um restaurante, até que, foi promovido a chefe de cozinha.

Logo nos primeiros dias, Kalvin acabou conquistando Raissa, sabe por onde, não é?

Exatamente. pelo estômago!

Raissa, por outro lado, trabalhava como analista de sistemas em uma empresa, tinha acabado de sair da casa de seus pais com 28 anos. Solteira, vivia o sonho da casa própria, da vida independente…

E ali estava: Aquele Deus grego, que durante as manhãs e algumas noites, insistia em perturbar sua mente.

“Sei que é feio bisbilhotar o interior da casa alheia, mas eu realmente precisava de uma dica sobre
como arranjar comida no bairro àquela hora da noite. Não me lembro de ter passado por uma
padaria ou mercadinho pela manhã,
mas posso ter me distraído de tão excitada com a mudança que estava.
Diferentemente da minha janela que ficava ao lado da porta ­ e dava para a sala de estar ­, a
do vizinho dava para a cozinha. Devo confessar que soltei um arquejo maluco de surpresa quando
visualizei o meu querido Calvin.
­ Tá de brincadeira… ­ murmurei baixinho logo após a minha quase engasgada.
O Senhor Calvin Klein estava trajando apenas um short preto por cima da cueca, que não
soube dizer se era a mesma, mas a tarja da CK ainda estava por ali. Ver o seu corpo digno de galã
hollywoodiano, exposto tão deliciosamente à vontade, não foi tudo. O cara estava com fones de
ouvidos enormes, cantando algo com muita empolgação ­ não dava para ouvir sua voz dali, já
que o vidro da sua janela estava fechado ­, enquanto batia uma colher de pau dentro de uma
vasilha. Para tudo! O sujeito estava cozinhando?

­ Raissa, a nova vizinha do 104, o que é que manda? Quer açúcar?
O maldito teve a cara de pau de me olhar como se eu fosse um pedaço farto de bisteca suína
ao molho barbecue, pronta para ser abocanhada. Senti fome só de pensar nisso, mas acho que
devo ter corado tanto que, de repente, a visão do barbecue foi substituída por molho de tomate.
­ Eh… Sabe o que é, Calvin… ­ Ele gargalhou diante do apelido que eu coloquei nele. Parei
de falar e esperei que terminasse de rir da minha cara.
­ Ai, desculpa, Raissa. Você é muito engraçada, além de gata. Pode falar.
Prendi os lábios e fiz uma careta. Não estava acostumada com tanta ousadia vinda de um
homem. Ainda mais um homem desses! Ele me deixava desconcertada só com um olhar. Ficava
parecendo uma menininha virgem diante dele. O maluco devia estar me achando uma caretona!
Respirei fundo e tentei me controlar. Calvin agitou os cabelos castanhos entre os dedos e se
apoiou na parede ao lado da janela, deixando o músculo definido nido do braço esquerdo bem
destacado. Continuou me hipnotizando com aquele jeito cafajeste, malicioso.
­ Me esqueci de fazer compras e estou com fome… ­ fui curta e quase grossa ­ Poderia me
dizer onde tem algum mercado por aqui?
Ele não respondeu logo. Continuou me olhando como se eu não tivesse dito nada. Pensei em
perguntar novamente, mas aí ele abriu a boca e soltou um suspiro que mais pareceu um gemido.
Alguma parte sugestiva do meu corpo deu uma vibrada. O frio foi embora de repente, como se a
lua tivesse virado sol.
­ Você está com muita sorte, Raissa. Aliás, a sua maior sorte foi ter comprado a casa de
número 104. Sou um ótimo vizinho, sabe? ­ continuou sorrindo “sacanamente”. ­ Sou muito
prendado. Adoro cozinhar. Não há um dia que eu não prepare um prato novo. E, hoje, estou
fazendo nhoque. Gosta?
Arregalei os olhos.
­ Gos… Gosto.
Ele se aproximou da janela até deixar a cabeça do lado de fora. Precisei dar um passo para
trás, pois a impressão que tive foi a de que o sem noção iria me beijar ali mesmo, como se eu
tivesse acabado de dizer que gosto dele e não do maldito nhoque.
­ Com molho de queijo ­ murmurou sem se abater. ­ Muito queijo derretido. Receita da
minha mãe. Ela é italiana. Que Deus a tenha!
Fiquei meio sem graça.
­ Sinto muito.
­ Ah, eu nem a conheci. Morreu assim que me teve. En em, minha querida vizinha, gostaria de
dividir o nhoque comigo?
Abri a boca, sem saber o que responder. Não podia aceitar, podia? Eu só queria saber onde
era a padaria mais próxima. Não estava a afim de comer com um cara safado soltando indiretas,
ou melhor, diretas. Apesar de ser mente aberta e de não me importar com as safadezas dos
outros, gosto de manter o respeito e a sanidade, na medida do possível.
­ Eu só… só queria saber se há uma padaria…
Calvin bufou, parecendo indignado.
­ Amanhã eu te mostro, Raissa. Venha, vizinha, juro que não vai doer. ­ Dei alguns passos
para trás, sentindo-me um pouco perdida. Ainda estávamos falando de um convite para jantar? ­
Espere aí, não fuja! Eu não mordo. Bom, posso morder se você quiser… ­ Piscou um olho. Fiz
uma careta. ­ É sério, Raissa, fica aí. Vou abrir a porta.
Eu, hein? Não consegui raciocinar muito enquanto esperava o doido varrido abrir a porta.
Também não pensei quando entrei devagar, sendo assistida por aquele cara enorme e gostoso,
que não parava de sorrir com malícia. A casa dele era quase a mesma coisa que a minha, só
mudava a disposição dos cômodos. Sua cozinha estava no lugar da minha sala e a sua sala no
lugar da minha cozinha. O resto era praticamente igual. E meio bagunçado também. Quero dizer,
tinha roupas espalhadas pelos móveis. Algumas até femininas. O sofá estava meio fora de
posição, mas, tirando isso, a casa dele até que era bem normal.
O que chamou a minha atenção foi um mural de fotos na parede da sala. Calvin Klein posava
em fotos loucas, uma mais engraçada que a outra, na companhia de amigos, amigas ­ muitas,
muitas amigas ­ e pessoas que achei que fossem familiares, por serem mais velhas.
­ Então… Faz o que da vida, vizinha? ­ ele perguntou da cozinha. Já tinha voltado a
machucar a massa com força, usando a potência daqueles braços fortes e grandes como ele. Um
cheiro delicioso subiu, e consegui identificar: era queijo sendo derretido.
­ Sou ginecologista ­ respondi. O safado gargalhou alto.
­ Puta merda, é o emprego dos meus sonhos! Como se sente admirando todos os tipos de
vagina do mundo?
Comecei a rir sozinha. A cara de admiração do Sr. Klein foi muito engraçada.
­ Estava brincando, Calvin! Sou analista de sistemas. ­ Ele deu de ombros.
­ Ah… Legal. Danadinha, me pegou de jeito! Vai ver, um dia vou te pegar de jeito também! ­
O maluco continuou rindo, mas parei no mesmo instante. Como reagir diante das diretas que me
soltava? Não pude evitar; meu rosto esquentou de novo. Arrependi-me de ter feito aquela piada.
Não devia brincar em terreno desconhecido. O cara podia ser um ninfomaníaco, sei lá.
Fui até a cozinha e me sentei em uma das cadeiras. Tentei não olhar para o corpo perfeito
dele nem observar o modo delicioso como se movia enquanto colocava a massa em um aparelho
que fazia o nhoque ter cara de nhoque.
­ E você, o que faz?
­ Sou chefe de cozinha em um restaurante.
Quase engasguei com a minha saliva.
­ Sério? ­ Olhei-o sem querer, e ele já estava me olhando. Desta vez, seriamente. Não, digo,
não foi seriamente, foi com uma expressão além da seriedade. Parecia desejo. O doido estava me
secando. Filho de uma mãe sem pai…
­ Não, sou apenas um ajudante que fica lavando os pratos e preparando molhos. Mas sonhar é
de graça! ­ Riu de um jeito divertido, e acabei rindo também. Ele parou. ­ Ei, é legal quando
você ri. Gostei, Raissa.
­ Então… Queria ser cozinheiro? ­ Mudei de assunto.
­ É. Ainda vou ser um dia. Quem sabe…
Era engraçado ver um cara do tamanho (e do corpo) dele querendo ser cozinheiro. Sempre
achei que todos os cozinheiros fossem velhos, obesos e barbudos, mas, pelo visto, estava
enganada.
­ Vou provar o seu nhoque, aí digo se você é bom mesmo.
­ Sou bom em muitas coisas, vizinha. Basta que prove.
Uau! Aquela foi demais para a minha calcinha. Foi difícil ver o vizinho delícia na minha frente
e não imaginar as coisas nas quais ele pudesse ser bom. Confesso que, enquanto ele terminava de
fazer o jantar como se nada de sacana tivesse dito, um lfilme pornográfico co se passou pela minha
cabeça, com direito a tudo o que há de mais erótico.
Quando o nhoque foi servido, eu estava quase pirando por uma “sobremesa”. Mas fui me
acalmando. Precisava voltar a ser rme. Sr. Klein comeu no mais completo silêncio, só me olhava
de vez em quando. Ainda bem. O nhoque ao molho de queijo estava divino. Aliás, não me lembro
de ter comido um nhoque tão gostoso em toda a minha vida. Confesso que, enquanto comia, não
conseguia parar de pensar no instante em que eu elogiaria o jantar. O doido certamente soltaria
mais uma direta, e não sei até quando suportaria aquele joguinho de sedução. Só depois da nossa
última garfada ele voltou a falar:
­ Raissa, não me mate de expectativa. Eu sou um ansioso, não sei esperar por nada. ­ A careta
que fez não negou a sua ansiedade. Parecia um moleque. ­ O que achou do jantar? Pode ser
sincera.
Inspirei todo o ar que me foi possível. Meu coração começou a bater bem depressa, e nem sei
dizer o porquê.
­ Perfeito, Calvin. Você cozinha bem pra burro. Nunca comi um nhoque tão bom… E não
estou elogiando só porque estava morta de fome ou porque sou sua vizinha. Juro.
Ele gargalhou e se levantou da cadeira. Deu-me um beijo bem demorado na bochecha. Quero
dizer, acho que era para ser na bochecha, mas na realidade foi no canto da minha boca.
­ Ei… Gostei de você, vizinha. Vamos nos dar muito bem”.

E realmente, se deram bem.

Raissa seguia com aquela rotina de sair de casa pelas manhãs para o trabalho, e encontrar o seu vizinho cuidando do jardim.
Vezes vestido, outrora, somente com a habitual Kalvin Klein.

Estando cada vez mais próximos, ao ouvir o sexo enlouquecedor durante quase todas as noites ao lado na casa de Kalvin, ao se comunicarem durante quase todas as manhãs, ao por vezes, jantar em sua casa ou receber algum agrado de seu vizinho,
Raissa ia sendo atraída por Kalvin, pouco a pouco.

Vasos de flores que apareciam nos fins de tarde em sua varanda, pequenos agrados, e por fim, uma conversa sincera.

Kalvin acabou contando sua história para Raissa. Fato que, nunca realizava com outras pessoas.

Contou tudo. A perda precoce de sua mãe, as complexidades de seu pai, o fato pelo qual não se envolvia de maneira mais sentimental com mulher alguma.
O churrasco habitual que realizava com seu pai durante todos os domingos. Evento esse, que ainda mantinha, de forma sagrada, sempre no mesmo horário e dia.

Com isso, nascia entre ambos, uma forte amizade.

Raissa descobriu naquele homem carismático, um ser possivelmente magoado, sozinho e perdido.

E ela queria ajudá-lo a se encontrar.
Mais do que isso, passou a querê-lo. Por mais que soubesse que não poderia…

Com o passar dos dias, o laço de amizade entre ambos somente crescia.
Ela, frequentando o seu evento particular, sagrado e solitário aos domingos.
Ele, já frequentando a casa de seus pais, na condição de amigo.

Por fim, mais histórias, e um presente.
O tapete, que teria sido de sua mãe no passado. Objeto preferido de Kalvin.

Agora, ele fazia parte da sala de Raissa.
E de uma certa forma, seria seu abrigo, nas noites mais difíceis.

Como ninguém é de ferro, eles acabaram se envolvendo sexualmente. Uma, duas vezes…

E, como bem imaginamos, o cara era um mestre na cama.
Por tanto, Raissa acabou por ser envolvida por ele.
Ele, acabou por ser envolvido aos poucos por ela.

Porém, nada passava disso.

As visitas sexuais de mulheres desconhecidas em sua casa ainda seguiam. Porém com menos frequência, até que se tornassem nulas.

Com isso, Raissa, já envolvida por Kalvin, se refugiava no tapete da sala, uma vez que a parede de seu quarto dava para o quarto do mesmo, possibilitando a transmissão de todo o áudio para ambos os lados.

Raissa, a garotona divertida e possivelmente confusa, que acaba por se revelar uma mulher bastante inteligente que nos surpreende, e muito!

Conflitos, descobertas, superações, momentos tristes e felizes se seguem,
enquanto Raissa tenta converter esse homem magoado e sexualmente ativo, sem se envolver mais do que deve.

O livro é todo escrito de maneira jovem, sempre com o bom humor característico, cativando o leitor do início ao fim.

O marketing do livro é a pegada Chick Lit. Porém, temos uma bela história reflexiva, que com toda certeza, agrega e muito em nossas vidas.

Na obra, trabalha-se o trauma que os pais, mesmo que sem querer, podem passar para os filhos. E, com isso, prejudicar toda a vida de tal ser.

Diversos aspectos, que por vezes passam despercebidos aos nossos olhos durante os dias, são abordados nesse livro.

A solidão, que muitas vezes nos levam a buscar meios que podem não ser tão eficazes para nossas vidas a longo prazo.

O amor próprio, que cada vez mais precisamos ter, antes de abandonarmos ou modificarmos nossas rotinas,
ou sacrificar a nossa paz e coração, em prol de outra pessoa.

O domínio próprio, que nos leva sempre a refletir:
O que eu quero?
O que preciso fazer para alcançar meu objetivo?
Porém, do que preciso abdicar para alcançar esse objetivo que tanto almejo?

Para mim, a autora veio em uma pegada certa, em uma sociedade onde os jovens se encontram cada vez mais conturbados por seus relacionamentos difíceis e confusos.
Seja afetivamente, ou em âmbito familiar.

Nada como uma linguagem leve e divertida para estar alcançando tal público…
E porque não, aproveitar a oportunidade para transmitir uma mensagem que agregue a esses jovens ao longo de suas vidas?

O que eu achei?
Um livro leve, divertido, empolgante e reflexivo, que me prendeu do início ao fim.

A autora explorou muito bem a trama, nos dando um início meio e fim magníficos.

Temos realmente a noção de tudo, não sentindo falta de nada.

E aí:
Até onde você está disposto(a) a ir por um amor?

E você. Sacrificaria sua vida livre de compromissos afetivos, para ter alguém do seu lado que pudesse contar, em todos os momentos?

Autor: Wenderson

Cronista, locutor, universitário, apreciador assumido de R&B, POP e MPB.

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