Resenha. Uma Música para Nós – por Josiane Veiga

Autora: Josiane Veiga
Editora: Independente
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Sinopse:
A música de Miguel salvou sua vida…
Beatriz Martins não se importava com as críticas à sua vida de tiete. Seguir e idolatrar Miguel Lins era tudo que ela tinha. As canções do
cantor haviam lhe salvado no seu pior momento, e agora vivia por ele.

Ao descobrir que o astro havia ido às montanhas para um descanso merecido, ela o seguiu, a fim de tirar algumas fotos e observá-lo de
longe. Contudo, ambos acabaram presos no lugar.
Os dias que pareceram um paraíso lhe indicaram um homem sádico, de temperamento dificil e palavras felinas. Sua decepção, contudo, lhe
trouxe mais que memórias.
Restou a ela um laço: Sam, seu pequeno filho, que a ligaria para sempre ao famoso artista.

Beatriz Martins é uma mulher de 30 anos, órfã de pai, que acabou por adquirir uma relação também difícil com a mãe, após um segundo casamento.; formada em administração, com um estável emprego em uma firma, onde ocupa o cargo de chefe.
solteira, e um tanto sozinha na vida, ela vive seus dias em total monotonia.

Como o livro nos afirma, desde os 15 anos de idade, ela vem comemorando seus aniversários sozinha. Elevando assim, o seu grau de solidão.
Tudo isso, não por ser totalmente sozinha. Mas sim, pela timidez. Por ficar extremamente nervosa ao ter de se relacionar com alguém.

Porém, naquele aniversário de trinta anos, ao cruzar pelos corredores largos da empresa, ela aguardava
qualquer felicitação. Havia um cartaz lá com o nome e a data de aniversário dos funcionários (Ideia dela!
Havia se convencido a alguns anos de que ninguém lhe cumprimentava porque simplesmente não sabiam a
data). Contudo, nem mesmo a própria secretária lhe deu os parabéns.

Esperou, então, um telefonema da mãe. Não aconteceu. Deu-se conta de que não fazia diferença naquele
vasto mundo. Ela não era ninguém.

Se sumisse, a empresa acharia alguém para substituí-la e pronto. De resto, ninguém sentiria sua falta ou
choraria sua morte.

Foi assim que ela foi parar no topo do edifício de cinco andares.

Olhou para baixo, sentindo lágrimas nos olhos. Sabia ser covardia, mas, ao mesmo tempo, parecia um
alívio intenso. O fim daquela voz na sua mente a declarar, a cada segundo, o quanto ela era fracassada.

Abaixo, os carros andavam com a costumeira pressa pela avenida movimentada. Pareciam formigas a
atingir sua meta.

Beatriz não tinha metas. Sua rotina seguia apenas um padrão de acordar, trabalhar, voltar pra casa, e
dormir novamente.

Deu um passo em direção ao vazio, estancou.

Sabia que não queria morrer. Ninguém nunca quer. Tudo que ela desejava era algo a se agarrar,
qualquer coisa que a motivasse a continuar respirando.

As lágrimas deslizaram pela sua face pálida.

Parecia uma figura patética, com suas roupas de inverno pesadas, escuras, parada no alto do prédio, a
olhar para baixo e chorar.

Se conseguisse se ver… Ah, se ela conseguisse…

Talvez percebesse que tinha lindos olhos azuis, tão brilhantes quanto o céu. Que a pele era bonita, bem
cuidada, e que o corpo, apesar de comum, trazia uma feminilidade latente que sempre fazia as cabeças
girarem na rua.

Também saberia que era amorosa. Se alguém abrisse um espaço mínimo e a deixasse entrar, ela seria
uma excelente amiga. Era leal e valorizava as pessoas.
Mas, Beatriz não conseguia ver nada além da própria dor. A dor de não ter ninguém. A dor da solidão.

Porque as outras dores, ela enfrentaria. Ela medicaria. Mas, aquela dor do vazio, aquela dor era
insuportável e sem cura.

“Por que está fazendo isso, minha pequena dama?”.

O som melodioso de uma voz simplesmente perfeita chegou aos seus ouvidos.

Um carro de som passava na rua, e no intervalo de uma das propagandas, deixava uma música popular
a tocar, chamando mais a atenção das pessoas.

“Você é tão linda, minha pequena dama”.

Ela conhecia aquela voz: Miguel Lins. Atualmente, o cantor nacional mais famoso do país. Era gaúcho,
como ela. Nascera e crescera em Porto Alegre, mas, ao contrário dela, venceu na vida e agora desfilava na
imprensa com lindas mulheres e muito dinheiro.

Esse pensamento foi apenas franco. Beatriz não o invejava. Ele merecia isso. Suas músicas eram
consideradas a nova música popular de qualidade, antes representada por lendas como Cazuza ou Renato
Russo. Suas letras impecáveis, sua voz majestosa, lhe deram os frutos merecidos.

Concentrou-se novamente em seu suicídio. Respirou fundo.

“Se você soubesse o quanto seu sorriso é importante…”.

Cobriu os ouvidos. Não queria aquelas palavras… Não!

“Alguém, em algum lugar, algum dia, irá vê-la de verdade, e então você será o mundo de alguém,
minha pequena dama”.

Beatriz recuou, os braços caindo em volta do corpo, o choro sufocado a escapar dos lábios.
Subitamente, caiu de joelhos e ouviu o restante da canção.

“Enxugue suas lágrimas, e lute. A vida vale a pena, minha pequena dama”.

Sem saber ou desejar, Miguel Lins salvou a vida de Beatriz Martins naquele final de tarde.

Depois de ter a sua vida salva pela Música de Miguel Lins, Beatriz tornou-se a fã número um do cantor.
Naquele mesmo ano, buscou por todas as suas músicas na internet. Inclusive aquela que salvou sua vida (Pequena Dama).

Com a previsão de ida a um show marcado e posteriormente cancelado em função do descanso após o cantor fazer uma turnê para Europa,
Beatriz decidiu que seguiria seu ídolo para Bariloche, onde o mesmo tiraria férias.

Para quem não tinha perspectivas, agora ela tinha determinação, além da conta.
De Porto Alegre, cidade onde residia, Beatriz confirmara na internet que seriam praticamente 40 horas de carro para que chegasse em Bariloche.
Todo sacrifício valeria a pena. Afinal, Beatriz em fim conheceria e agradeceria de perto aquele que um dia salvou a sua vida, mesmo sem saber.

De um lado, temos a fã apaixonada.
De outro, o cantor ferido, que foi abandonado por seus pais quando criança, e manipulado a tornar-se uma ferramenta de lucro para seu pai adotivo como cantor. Tornando Miguel um ser um tanto amargurado.
Por mais que o mesmo conseguisse sua independência total aos 18 anos, não tendo qualquer vínculo empresarial com seu pai adotivo, Miguel seguia compondo e produzindo músicas lindas, porém um tanto distante do mundo.

— Um monte de baboseira sobre amor entre as pessoas, e a paz mundial… Ah, por favor, como se você
não soubesse que sou ótimo em afagar egos humanos, fingindo que as pessoas podem ser boas e que o mundo
tem solução.

Beatriz, por outro lado, seguia com seu plano:
Passou por diversas aventuras durante alguns dias. Dormindo em hotéis no interior, parando em restaurantes a beira da estrada, divertindo-se conversando com caminhoneiros,
até que chegasse e cruzasse de vez a fronteira.

Em fim. Bariloche!

Porém, ao conhecer Miguel de uma forma um tanto inusitada, Beatriz acabou se dando conta de que seu cantor salvador não era exatamente o que ela imaginava.

Tendo alcançado a mansão onde Miguel se localizava, Beatriz se embrenhou entre as árvores e o alcançou, justamente no momento em que o cantor procurava seu gato e, acabara caindo em um buraco por causa da neve.

Depois de ser salva pelas músicas do cantor, Beatriz agora era quem salvara Miguel de morrer de frio naquele buraco.

Tendo de se conhecer mais do que pretendiam, Miguel e Beatriz foram pegos por uma tempestade de neve, que os impediu de ter sinal telefônico, e também, de que saíssem da mansão.

Entre decepções e algumas brigas, os dois acabaram por se envolver. Gerando assim, um eterno laço, que ainda faria com que ambos se reaproximassem posteriormente.

Sinceramente, adrenalina, do início ao fim!

Primeiro, a autora nos apresenta Miguel como herói. Depois, faz com que o odiemos. Porém, só um pouquinho.

Todo mundo pode se arrepender de seus atos, não pode?

Se apresentando como um ser um tanto desprezível, Miguel erraria novamente e os afastaria, por mais 5 anos.

Entendemos que Miguel passou por algumas decepções em sua vida, que o tornaram o ser frio que é hoje.

Algo tão forte, que fez com que ele parasse de acreditar nas pessoas.

Vínculos seriam a última coisa que ele desejaria em vida!

Porém, o destino sempre dá uma mãozinha…

Quantas pessoas estão por aí, apenas precisando de uma única palavra de carinho… De um olhar, de um abraço.

O que eu achei?
Simplesmente belo, do início ao fim!

O livro, nos ensina duas importantes lições.

Nunca é o fim. Sempre podemos olhar além de nosso mundo, e descobrir algo para que possamos nos apegar. Mesmo que seja, de momento.

Porém, não se apegue de mais sem antes, conhecer.

Isso nos leva a uma conclusão reflexiva:

O quão longe vale irmos para conhecer o nosso artista favorito?
Digo isso, sentimentalmente.

Falando de personalidade,
Será que, por fim das contas, não valeria a pena ficarmos no que realmente conhecemos, com o que simplesmente nos faz bem?
Até onde devemos tentar o novo?

Uma música para Nós é uma história de superação, vivida entre o amor e o ódio, cuja história acaba por nos ensinar, mais do que imaginamos.

Nunca é o fim…
O livro nos leva a conhecer o pior e o melhor do ser humano. E também, como vínculos podem surgir de uma hora para outra, e mudar completamente tudo.

A felicidade pode estar nas coisas mais simples da vida. E porque não, em meras músicas?

Um livro breve, porém objetivo.
Sim, a autora nos deixa com um gostinho de quero mais…

Recomendo-o, para todos aqueles que gostam de um bom romance, e claro: Histórias que demonstram a verdadeira mudança e superação de um ser.

Autor: da redação

Cronista, locutor, universitário, apreciador assumido de R&B, POP e MPB. Respira o romance 24:00. Por isso, embarca em dois romances incompletos, os quais um dia sonha em terminar. Atualmente sustenta uma coluna pública no site Recanto das Letras, e escreve com mais liberdade em seu próprio blog. Já tentou ser músico, se aventurou em meio ao teatro, e ainda arrisca algo no meio humorístico. Adepto a produção publicitária, se descobriu locutor na maior idade, e faz disso um complemento a todo o seu trabalho. Apaixonado pela literatura antiga, mas não abre mão de obras atuais para passar o tempo, por mais que esteja constantemente garimpando por obras inspiradoras, e as encontrando. Admira escritores que se destacam em descrever com perfeição os sentimentos, e faz disso sua inspiração. Gosta de viajar, conhecer novas pessoas, se aventurar em meio a novos assuntos, se inspirar e escrever sobre tudo aquilo que tem oportunidade. Ama a vida, admira sorrisos sinceros, se dedica em ajudar em tudo que esteja ao seu alcance, e luta diariamente por um mundo melhor. Vive com todos e por todos, em uma união de equilíbrio, paz e luz.

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